10 coisas que só existiam na Bahia, mas que nem existem mais ou estão desaparecendo

Daniela Mazzei

Atualizado em 2 de maio de 2016 às 17:17
imagemFoto: Reprodução - internet
 

Quando você pensa na Bahia de dez anos atrás, há de convir que não faz tanto tempo assim. Mas acredite: esse período foi o suficiente para tirar de circulação ou diminuir drasticamente a presença de coisas peculiares do nosso estado, enganando até os mais convincentes nativos.

A famosa expressão “só se vê na Bahia” já extrapolou as barreiras locais e ganhou fama mundo afora. A Bahia é mesmo um poço de inspirações, criatividade e idiossincrasias.

Mas, para além das coisas tradicionais como dendê, acarajé, fitinha do senhor do Bonfim, moqueca baiana, rede de balanço, entre outras, o Aratu Online listou DEZ coisas que já fizeram muito sucesso, mas que atualmente parecem ter caído no esquecimento da maioria dos jovens.

Será que você conhece alguma delas? Confira e no final certifique a sua pontuação no placar do ‘conhecimento baianês’ que preparamos.

1.PICOLÉ CAPELINHA

Como esquecer os vendedores ambulantes gritando com aquele sotaque malemolente “picolé capelinha”. A iguaria tem sabor de infância e deixou as idas à praia mais apetitosas e refrescantes.

O picolé foi criado em 1971 – há 45 anos – por Antônio Mota dos Santos, mais conhecido como Sêo Antônio, que tinha um armazém no bairro da Capelinha do São Caetano. A fama do picolé veio da qualidade do produto e só. Não houve nenhum tipo de propaganda, a não ser o (literalmente) boca a boca. O picolé era 100% natural e tinha várias opções de sabor, especialmente com as frutas da época: cajá, cajarana, umbu, biri-biri, carimã, milho verde, amendoim, entre outros.

Infelizmente NÃO existe mais. Pelo menos não mais o original.

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2.XIBIU

A palavra ‘xibiu’ refere-se a diamantes pequenos. Mas na Bahia, o significado é outro. Quem com seus 30 anos ou mais nunca chupou a “Aala Xibiu”? O doce fez sucesso nos anos 80 e virou até música da banda Frutos Tropicais com o famoso refrão ‘Já chupou Xibiu? Gostou do Xibiu?’.

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3.XARÉU

A palavra ‘Xaréu’ refere-se a uma espécie de peixes pequenos, comuns na região Nordeste do Brasil. Porém, na Bahia, o termo é muito conhecido no âmbito do esporte, mas com outra designação. O xaréu é muito conhecido pelos baianos que frequentavam o histórico estádio da Fonte Nova até o ano de 2007, quando o estádio foi interditado por conta da morte de sete pessoas.

Muitos torcedores que não tinham condições de pagar pelo ingresso do jogo esperavam os últimos quinze minutos do segundo tempo para entrar no estádio e assistir de graça ao finalzinho da partida. Isso acontecia quando os portões eram abertos para que os torcedores que já estavam dentro do estádio pudessem ir embora.

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4.ROLETE DE CANA

Isso nada mais é que pedaços de cana-de-açúcar espetados em palitos de churrasco. Quem não se lembra do vendedor de rolete de cana que passava nas ruas com aquela enorme bacia de alumínio na cabeça? O produto também era muito vendido – e consumido – na praia, nas festas de largo, na Fonte Nova e no carnaval de Salvador.

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5.TABOCA

É um tipo de biscoito feito com casquinha de sorvete bem fininha, vendida em formato de canudinho. Antigamente a taboca era vendida em latões carregados nas costas pelo taboqueiro, que anuncia a venda tocando triângulo. Atualmente, já existe a modalidade taboca tipo exportação, acondicionada em saquinhos e vendida geralmente no semáforo.

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6.ACAÇÁ

É um bolinho afro-baiano feito de farinha de arroz ou de milho, cozido em ponto de gelatina e envolvido, ainda quente, em folhas de bananeira. Reza a lenda que o verdadeiro acaçá deve ser feito seguindo os rituais rígidos do candomblé: colocar a folha na palma da mão esquerda e colocar a massa. Com o polegar dobrar a primeira ponta da folha sobre a massa, dobrar a outra ponta cruzando por cima e virando para baixo, fazendo o mesmo do outro lado. O formato que resulta é o de uma pirâmide retangular.

Todos os orixás recebem o acaçá como oferenda.

7.TERERÊ

O famoso tererê na Bahia toma forma quando fitinhas e/ou miçangas são entrelaçadas no cabelo formando tranças. O penteado colorido e peculiar é muito usado em cabelos crespos, mas já ditou moda no verão de Salvador quando ficou mais conhecido e ganhou adeptos, inclusive turistas.

O serviço de tererê era muito oferecido no Pelourinho. O preço variava e dependia da quantidade de tranças que o cliente desejava: pode ser feito tererê em todo o cabelo ou apenas uma, duas ou três tranças.

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8.FURA PÉ

É uma brincadeira antiga ao ar livre. Os participantes devem jogar forte e precisamente um palito na terra e este deve ficar encravado e ereto. Por isso não há como a brincadeira ser praticada em playground ou asfalto.

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9. COLAR DE COQUINHO

Coco-cabeçudo, alicuri, uricuri, ouricuri ou nicuri: não importa o nome, todos são aceitos e entendíveis aqui na Bahia. O famoso colar de coquinho, tão vendido por  ambulantes e lojas de artesanato, também já foi a sensação da moda baiana. O chamado ‘coquinho’ é uma amêndoa do fruto de uma palmeira nativa de nosso país, típica do clima árido da caatinga.

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10.PRÍNCIPE MALUCO

O coquetel com título de nobreza possui uma mistura muito louca de ingredientes que faz, literalmente, a cabeça dos baianos. A bebida é servida num pequeno copinho de café que, ACREDITE, cabe a mistura de cachaça, vodka, um outro tipo de destilado com guaraná, canela, mel e outras coisitas mais que nem eu e nem você nunca saberemos.

O pequeno drink, vendido a apenas R$ 1, é astucioso e capaz de derrubar os grandalhões de plantão. Mas, para “cortar tudo de ruim” e aliviar o efeito forte, é necessário seguir o ritual do Príncipe Maluco: virar o copo de vez e em seguida chupar um pedaço de limão sem casca e leite condensado.

A bebida é como a ‘entrada’ do cardápio, já que ele é consumido antes de os foliões curtirem grandes shows, onde também provarão outros tipos de bebidas. Os vendedores montam suas barraquinhas de Príncipe Maluco (que fica armazenado naqueles garrafões de 20 litros) na entrada dessas grandes festas e acabaram também se tornando um tipo de atração no local.

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PLACAR DO CONHECIMENTO BAIANÊS:

De 0 a 3 – ‘Sabe de nada, inocente!’  – Precisa ainda aprender muitas coisas da terra

De 3 a 5 – ‘Colé, véi?!’ – Tá melhorzinho, mas ainda tá longe do ideal

De 5 a 7- ‘Pô, miserê!’ – Sabe muito das paradas antigas

De 8 a 10 – ‘Cê broca. Cê é barril!’ – Sem mais.